Tom Petty: a trajetória e o legado de um artista dos corações e das canções.

No ultimo dia 02 de outubro o mundo da música foi atingido no coração por uma notícia devastadora: A morte de Tom Petty aos 66 anos. A causa de seu falecimento foi um ataque cardíaco.

Tom Petty era um bom exemplo de integridade musical e talento; mesmo vendendo mais de 80 milhões de discos em sua carreira, ele permaneceu fiel aos seus princípios musicais, sem se deixar ser explorado exaustivamente pela grande mídia e o show business.

Tom Petty
Tom Petty, portrait, New York, 1977. (Photo by Michael Putland/Getty Images)

Trajetória

A trajetória musical de Tom Petty começou em sua cidade natal Gainesville, (cidade situada no estado da Flórida) no final dos anos 1960. A banda The Epics, que depois mudou o nome para Mudcrutch contava, com Mike Campbell e Benmont Tench, integrantes que futuramente fariam parte do Heartbreakers de Tom.

Depois de algumas idas e vindas, Tom Petty acabou se mudando para Los Angeles, lá reencontrou os ex-companheiros de Mudcrutch, Campbell e Tench.  No ano de 1975 se juntaram com Ron Blair e Stan Lynch formando a Tom Petty and the Heartbreakers.

Tom Petty and the Heratbreakers
Tom Petty and the Heartbreakers

O disco de estreia autointitulado foi lançado no ano de 1976, e chegou aos 20 mais na Inglaterra e vendeu muito bem na França e na Alemanha. Entretanto no seu país natal a banda passou despercebida. Eles visivelmente beberam das fontes dos Byrds (o som clássico da guitarra Mike Campbell) e de Bob Dylan (interpretação áspera de Tom) para compor as composições do primeiro disco. Os singles do disco foram Breakdowm e American Girl, que inclusive teve participação de Roger McGuinn, líder do The Byrds.

O segundo disco da banda You’re Gonna Get lançado em 1978 foi responsável pelo primeiro disco de ouro da banda. Músicas como Listen to Her Heart e I Need to Know foram responsáveis por essa conquista.

O lançamento do álbum Damn the Torpedoes de 1979 foi marcado por uma disputa judicial de Tom Petty com sua gravadora: a ABC Records (distribuidora da Shelter Records), que foi vendida para a MCA Records. Tom Petty não aceitou a imposição da gravadora de simplesmente transferi-lo de corporação. Para o cantor seus princípios artísticos estavam sendo violado, o que acabou levando-o a uma declaração de falência, artifício que serviu de tática contra sua futura gravadora, a MCA.

Mesmo com todo imbróglio judicial o disco Dawn the Torpedoes conseguiu emplacar canções que se tornariam clássicos na trajetória da banda: Refugee, Don’t do me Like That, Even the Losers e Here Comes My Girl.

 

Década de 80

Na década de 1980, Tom Petty and the Heartbreakers seguiram lançando discos. Sua popularidade foi sendo conquistada a cada lançamento, principalmente por conta de um novo elemento: A criação da MTV no ano de 1981 que foi fundamental para essa popularização da banda.

A linguagem inovadora da emissora, que tinha como foco e objetivo ser uma TV para o jovem, contribuiu para diversos artistas ganharem fama e popularidade. Com a exibição de vídeo clipes Tom Petty e seu Heartbreakers se apresentaram para um público que provavelmente sem a MTV seria inatingível.

Do disco Hard Promisses de 1981, que entrou no top 10 das paradas americanas, tivemos o single e o clipe The Waiting. No ano seguinte (1982) o disco Long After Dark trouxe o single You Got Lucky com seu vídeo clipe tematizado no universo Mad Max, um clipe situado em um futuro distópico assim como o longa metragem de 1979 estrelado por Mel Gibson.

 

No ano de 1985 Tom Petty participou do Live Aid ( festival organizado por Bob Geldof e Midge Ure com o objetivo de arrecadar fundos para a Etiópia), se apresentando no braço estadunidense do festival, realizado no JFK Stadium na Filadélfia.

Também lançou seu sexto álbum com os The Heartbreakers chamado Southern Accents. Deste disco a música Don’t Come Around Here no More fez bastante sucesso. Principalmente por conta do seu vídeo clipe, que era tematizado no universo da obra de Lewis Carroll Alice no País das Maravilhas. Com um ar psicodélico; Tom Petty trajado de chapeleiro louco, o clipe é um dos momentos mais lembrados do artista.

 

O final da década de 80 foi marcada por projetos e discos sem os Heartbreakers. No ano de 1988 Tom Petty se juntou a Roy Orbison, Bob Dylan, George Harrison e Jeff Lyne para compor o supergrupo Traveling Wilburys. Com os Wilburys Tom lançou dois discos, o Traveling Wilburys Vol. 1 em 88 e o Vol. 3 em 1990. Curiosamente o disco solo Full Moon Fever lançado em 1989 é considerado o segundo volume do Traveling Wilburys. Nele está provavelmente a canção mais conhecida de Tom Petty, Free Fallin.

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O supergrupo Traveling Wilburys da esquerda para direita: Bob Dylan, Jeff Lyne, Tom Petty, George Harrison e Roy Orbison

Anos 90

Os anos 1990 foram marcados por discos inéditos com os Heartbreakers, o lançamento da primeira coletânea e o segundo álbum solo. O sétimo álbum do grupo Into the Great Wide Open de 1991 emplacou nas paradas o single título e Learning to Fly.  No ano de 1993 foi lançada a primeira coletânea da banda: Tom Petty & the Heartbreakers, contendo os maiores sucessos, inclusive do disco solo; duas canções inéditas, Mary Jane’s Last Dance e Something in the Air. Em 1994 Tom lançou seu segundo disco solo chamado Wildflowers.

 

Anos 2000: Reconhecimento artístico

Nos anos 2000 Tom Petty seguiu tocando e compondo, tanto com os Heartbreakers quanto em carreira solo. Consagrado como um dos mais importantes artistas dos Estados Unidos, Tom Petty teve seu reconhecimento através de indicações e premiações, inclusive conquistando em três oportunidades o Grammy: uma com os Traveling Wilburys, uma pela performance solo e outra com os Heartbreakers. Em 2002 ele foi aceito para o Rock and Roll Hall of Fame; em 2005 foi homenageado no Billboard Music Award com o prêmio honorário de “artistas do século”.

Tom Petty II
Tom Petty e o instrumento de sua paixão: a música

 

A última turnê e o legado

Ele junto com os Heartbreakers estavam terminando uma grande turnê comemorativa dos 40 anos de lançamento do primeiro álbum do grupo. E na sua última entrevista concedida para o Los Angeles Times uma semana antes de seu falecimento ele abriu seu coração em uma declaração emocionante de amor ao rock e a música; seus planos para o futuro.

“Se eu não estou criando, não me sinto conectado a nada. Gosto de sair da cama e ter um propósito”, confessa Tom Petty, que comparou o ato de criar à pesca. “Às vezes você consegue ter um peixe no barco, às vezes não.”

Essa bela metáfora do ato de criação e composição com o oficio da pesca é o que sempre moldou a carreira de Tom Petty. Um artista autêntico e verdadeiro, tanto em sua vida quanto em sua obra, eternizada nos corações de quem ama musica feita com a alma.

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