Die Toten Hosen esteve mais uma vez na América Latina. Fomos ignorados ou ignoramos a banda?

No último sábado, 07 de outubro, a banda de Die Toten Hosen se apresentou mais uma vez em Buenos Aires em uma noite sold out no Estadio Obras Sanitarias. Foram 3 shows na terra dos nossos hermanos, 2 em Buenos Aires e 1 em La Plata.

É público e notório o amor entre o público argentino e a banda. Eles publicaram diversos vídeos e fotos em sua página no Facebook mostrando o quão felizes estavam ao chegar, pelos shows, por encontrar os fãs.

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Estadio Obras Sanitarias – Reprodução Facebook DTH
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La Plata – Reprodução Facebook DTH
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Club Museum – Reprodução Facebook DTH

Mas também é impossível não se impressionar com o público argentino, eu mesma já assisti shows duas vezes (os dois do Motley Crüe) por lá e posso garantir que é um público extremamente apaixonado. Se o brasileiro se acha um público apaixonado, morreria de vergonha ao lado dos hermanos.

O setlist do show do último sábado foi repleto de clássicos como Bonnie & Clyde, Hier Kommt Alex, Alles aus Liebe, Opel-Gang, além de covers consagrados como Blitzkrieg Bop, Carnival in Rio (ironicamente eles cantam uma música com esse nome. Curiosidade: A versão de estúdio foi cantada com Ronald Biggs) The Passenger and You Will Never Walk Alone (eu sonho poder cantar essa música em um estádio ou show). Show pra deixar qualquer fã da banda em êxtase e sair totalmente satisfeito.

Mas não é a primeira vez que a banda se apresenta por lá, já vieram várias vezes. No ano passado também vieram nessa mesma época e inclusive com um show gratuito, se não me falha a memória.

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Die Toten Hosen- Reprodução Site Oficial

O Die Toten Hosen, formado em 1982 em Düsseldorf, é uma banda de punk rock e atualmente formada por Campino (Andreas ‘ô lá em casa’ Frege), Kuddel (Andreas von Holst), Vom (Stephen Ritchie), Andi (Andreas Meurer) e Breiti (Michael Breitkopf). Da formação inicial apenas Campino e Kuddel permancem. O nome Die Toten Hosen, se traduzido literalmente, significa ‘As calças mortas’, mas ele refere-se a expressões alemãs como “hier ist tote Hose” ou “hier herrscht tote Hose” que significa “não tem nada acontecendo aqui”, “Está chato aqui”, pois os músicos acreditavam que seus shows nunca estariam cheios e seriam noites ‘toten hosen’. Ledo engano, não?

A banda é consagrada em seu país, conhecida mundialmente. Mas por que ainda permanece ignorada por aqui? Ou será que a banda ignora o Brasil?

Acho difícil ser a banda, pois eles estiveram no Brasil em 1992 fazendo 1 show no Rio de Janeiro no Circo Voador, e 1 em São Paulo na Woodstock (valeu Fernanda Selbmann pelas informações preciosas). Então acredito mais em falta de oportunidade para tocar por aqui. Sabemos que o que não sai do eixo EUA/Reino Unido não tem um apelo comercial muito grande, as pessoas não se interessam. Mas também temos ciência de que a mídia especializada é um dos grandes responsáveis por isso. Lógico, se eles não tocarem o que for popular, não escreverem sobre o que é popular, vão amargar prejuizo. Porém acredito que seria bom ter um espaço para bandas que saiam desse eixo, que não cantem em inglês.

Me digam se eu estiver errada. Até bandas daqui do Brasil, que cantam em português não recebem o devido tratamento, elas amargam anos e anos de luta por um lugar até que um dia alguém resolve colocar suas músicas em um canal de TV popular, em uma rádio mais popular. Daí os fãs mais puristas acusam a banda de se vender e etc.

Mas voltando ao DTH.

Conheci a banda há uns 8 anos atrás. Na época eu namorava um alemão que me apresentou a diversas bandas cantadas em alemão (além do meu amado FC St. Pauli), e nenhuma delas me soou diferente a muitas que já ouvi em rádios ou que têm seu nome estampado em revistas e sites de música por aí, a não ser pelo idioma. Como uma banda puxa a outra, descobri o DTH e de todas elas foi a mais legal que eu ouvi. Apesar do idioma, são músicas que empolgam, de melodia que gruda e duvido que mesmo não conseguindo fazer um ‘embromation’ igual você faz com as músicas em inglês, você não consiga fazer um ‘embromationen’ do alemão.

Acredito que derrubar a barreira do idioma, abrir a cabeça e dar uma chance para bandas que não cantem em inglês, pode trazer gratas surpresas. Existem bandas maravilhosas que ficam restritas a nichos apenas por não cantarem em inglês, que mereciam muito mais espaço, que dão um show em muita banda conhecida.

Fica aqui meu convite: Caso você nunca tenha ouvido o DTH, dê uma olhada pelo Youtube, Spotify, e conheça. No início vai parecer meio esquisito, mas depois você vai adorar. Tenho certeza disso!! Para facilitar a sua vida, coloquei alguns vídeos abaixo e espero que gostem. Quem sabe na próxima vinda para a América Latina a gente não tenha público suficiente para que alguém se interesse em trazê-los? E se já existe público suficiente para trazê-los, quem sabe as pessoas comecem a se manifestar e despertar o interesse de algum produtor? Poderiam começar fazendo shows junto com alguma banda mais famosinha no estilo, que acham? Um Dropkick Murphy’s por exemplo… Just saying.

Bom, ouçam as músicas e depois me falem.

Lou Leal

 

 

 

 

E claro que não ia deixar de postar um vídeo deles tocando na Fanladen no Millerntor.

 

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