Michael Hutchence, 20 anos sem a voz dos anos 80

Há exatos 20 anos se calava uma das maiores vozes da história da música pop. Michael Hutchence, vocalista e líder da banda australiana INXS, ícone da geração 80. Podado pelo suicídio (que até hoje é cercado de mistério), Hutchence foi encontrado morto na suíte 524 do hotel Ritz-Carlton, em Sydney, na Austrália, estrangulado com um cinto em volta do pescoço.

Com apenas 37 anos, família e amigos nunca aceitaram a versão de que Hutchence tivesse tirado a própria vida. Versões bizarras de ritual sexual como o motivo do suicídio foi especulado, entretanto a descoberta de um antidepressivo Prozac na suíte onde o cantor morreu é considerado um fato relevante pela polícia, que acredita no suicídio.

Lembro-me como se fosse hoje o anuncio do suicídio de Michael Hutchence.  Ouvindo a rádio 89 FM naquele sábado ensolarado de novembro de 1997, a noticia caiu como uma bomba em meu coração. O trabalho de Hutchence com o INXS tinha sido recém-descoberto por mim, tanto que na época além das músicas que ouvia na rádio, escutava incansavelmente uma coletânea em vinil chamada Greatest Hits.

A morte de Hutchence foi a primeira morte de um artista estrangeiro que acompanhei como fã. Por isso do impacto da notícia.

Trajetória

Nascido no dia 22 de janeiro de 1960 em Sydney na Austrália, Michael Kelland John Hutchence era caçula de três filhos do casal Kelland Hutchence e Patrícia Glassop. Aos 4 anos, Michael se mudou com a família para Hong Kong  por causa de uma proposta de trabalho para seu pai. Anos mais tarde sua família acabou retornando para Sydney.

No ano de 1977 os irmãos Jon, Andrews e Tim Farris, formaram o INXS. Junto com Eles Michael Hutchence, Garry Gary Beers e Kirk Pengilly. O primeiro (e ótimo) álbum da banda titulado INXS foi lançado no ano de 1980.  No ano seguinte (1981) saiu Underneath the Colours; em 1982 Shabooh Shoobah, um dos meus favoritos.

inxs

O primeiro sucesso veio no ano de 1984 com o álbum The Swing e a música (perfeita) “Original Sin”. No ano de 1985 foi lançado o disco Listen like Thieves, e com ele os sucessos das  canções “What You Need” e “This Time”, que seria um belo aquecimento para o mega sucesso Kick, de 1986.

Com Kick a banda vendeu 13 milhões de cópias, colocou o grupo no patamar de bandas como o U2; transformou Michael Hutchence em um astro e sex simbol da década de 80. Essa imagem de Hutchence foi construída graças a exibição incansável dos clipes de “Mystify”, “New Sensation”, “Need You Tonight” e principalmente ”Never Tear Us Apart” (maior sucesso da banda) na MTV.

No ano de 1990, a banda lançou o disco X, e nele mais um punhado de hits como “Suicide Blonde”, “Disappear” e “By My Side”, uma das canções mais executadas e cantadas na época. Na turnê de X a banda se apresentou na sua única vez no Brasil, na segunda edição do Rock in Rio realizado no ano de 1991. O ano de 1992 foi lançado Welcome To Wherever You Are, e com ele outras canções de sucesso, “Baby Don’t Cry” e “Beautiful Girl” último grande sucesso da banda.

INXS II

Em 1993 o álbum Full Moon, Dirty Hearts não atingiu as expectativas da banda e gravadora, sendo praticamente ignorado pelo público e critica. Após um hiato de 4 anos a banda retornou no ano de 1997 com o Elegantly Wasted. Mas infelizmente a banda teve sua trajetória interrompida pela inesperada morte de Michael Hutchence.

Os últimos anos de vida de Michael Hutchence foram bem conturbados. Envolvido com a apresentadora de TV Paula Yates no ano de 1995, Hutchence acabou vivendo um tempestuoso triangulo amoroso, pois Paula era casada com o vocalista (e idealizador do Live AID) Bob Geldof.

Mesmo tendo três filhas com Geldof, Paula acabou largando a família para viver com Hutchence.  Michael Hutchence e Paula Yates acabaram tendo uma filha, Tiger Lily, hoje com 21 anos. Após a morte de Hutchence, Paula acabou sofrendo de depressão. Três anos depois Paula foi encontrada morta por overdose de heroína. A filha do casal acabou adotada por Bob Geldolf. O INXS acabou retornando a cena em 2005 com um novo vocalista, o canadense J.D. Fortune. Com ele lançaram o disco Switch que acabou vendendo 1 milhão de cópias.

Legado

Michael Hutchence

Apesar da família do cantor não querer faturar em cima de sua morte, foram lançados alguns materiais. Além de dois discos solos, Max Q (1989) e Let Me Show You lançado postumamente (1999), os livros The Final Days of Michael Hutchence, do escritor Mike Gee, que tenta explicar as possíveis causas que levaram Hutchence a cometer suicídio, além de traçar a trajetória do cantor no INXS; E o INXS: Story to Story, uma biografia autorizada pela banda. Os vídeos oficiais de Live Baby Live, gravado ao vivo no estádio de Wembley, The Video Hits Collection, compilação com todos vídeo clipes da história da banda; ainda The Loved One, documentário sobre o cantor com depoimentos do pai de Hutchence e cenas caseiras. Um filme sobre a vida e obra de Michael Hutchence está em processo de produção, Johnny Deep foi cogitado para o papel do vocalista, entretanto por ter sido amigo de Hutchence, Deep se disse impossibilitado de fazer o papel.

Já o legado de Michael Hutchence permanece. Mesmo depois de 20 anos de sua morte, a obra do cantor segue viva e presente. Suas canções e sua voz é algo totalmente singular na história do rock. A grande voz da década de 80, que tanta falta nos faz hoje.

 

 

 

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