As grandes canções do Brasil

O Brasil é pródigo em formar grandes compositores e interpretes. Muito dessa vocação vem inspirada pela nossa fauna, flora, beleza e diversidade.  Do samba ao baião, da bossa nova ao rock, da música de protesto ao choro, a verdade é que o Brasil é uma imensidão interminável de grandes canções e emoções sonoras, repleto de lirismo, sentimento e inovação.

Essa riqueza tentarei muito humildemente contar um pouco por aqui. A história de grandes compositores e suas maravilhosas criações, seus inesquecíveis interpretes; e grandes canções do Brasil.

 

Cartola, o cancioneiro brasileiro e sua composição definitiva.

Cartola

No último dia 30 (novembro), há exatos 37 anos, Angenor de Oliveira ou simplesmente Cartola nos deixava, ele tinha 72 anos.  Cartola foi essencial para a modernização do samba. Com ele todo o lirismo e poesia ganharam forma em canções belíssimas como “Alvorada”, “O mundo é um moinho” e “As rosas não falam” canção que será contada aqui neste post.

Nascido no bairro do Catete no dia 11 de outubro de 1908, mudou-se para o morro da Mangueira com a família aos 11 anos.  Foi um dos fundadores da Estação Primeira de Mangueira, escola de samba ícone da cidade. Lá começou a compor sambas cheios de harmonia e lirismo, marca registrada do pequeno e franzino Agenor. Que de estudo formal tinha apenas o terceiro ano primário, e fez de tudo um pouco na vida, foi pintor, estivador, camelô, gráfico, vigia e pedreiro. Inclusive o apelido Cartola nasceu exercendo essa profissão. Usava um chapéu-coco para se proteger do pó das obras, por isso o apelido.

Sua primeira gravação veio somente aos 66 anos de idade.  “Mesmo depois da gravação, eu não acreditava. Precisei ter o disco na mão. Precisei ver o disco sendo vendido nas lojas para acreditar. E me senti muito emocionado quando ouvi minha voz no álbum. Eu já tinha até pensado que iria morrer sem gravar” revelou emocionado em 1974, ano da gravação do primeiro disco, titulado Cartola e lançado pela gravadora Marcus Pereira.

As Rosas não falam foi lançada no segundo disco do cantor, dois anos depois no ano de 1976. A capa trazia uma foto dele e de Eusébia Silva, a dona Zica (sua esposa) na janela de casa. A inspiração para compor a canção veio justamente de um momento com a mulher. Vendo desta mesma janela, dona Zica observou rosas nascendo pela primeira vez embaixo da janela. Sem conter a surpresa e alegria ela chamou o marido e disse: “Cartola, vem ver! Por que nasceu tanta rosa assim?” A resposta foi simples: “Não sei, Zica. As rosas não falam” Estava ai composta as estrofes de uma das mais famosas e belas canções de Cartola.

Cartola e dona Zica
Cartola e dona Zica

A canção foi tocada pelos melhores músicos da época. Junto com Cartola estavam o cavaquinista Canhoto e o flautista Altamiro Carrilho. O disco teve uma produção impecável, pelas mãos do jornalista e produtor Juarez Barroso.  O sucesso foi imediato. As Rosas não Falam virou trilha de novela na Rede Globo; elevou Cartola a gênio da canção brasileira. O critico Ary Vasconcelos disse: “Sinto-me totalmente embriagado com o perfume que exala a arte de Cartola” Outros artistas do quilate de Heitor Villa-Lobos e Carlos Drummond de Andrade já reverenciavam Cartola; Francisco Alves, Carmem Miranda e Elis Regina já tinham há tempos se embriagado com toda a lisura das composições que eles tiveram o privilégio de gravar.

As Rosas não Falam juntamente com O Mundo é um Moinho são sem duvida nenhuma duas das canções definitivas da MPB.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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